Portugal... Entre o apelo do mar e o apego à terra. O discurso europeu na periferia atlântica
Não se conhece em Portugal, até ao século XIX, qualquer esboço teórico que configure um projecto ou a simples manifestação da ideia de uma Europa unida, perspectivada em formas de entendimento multilateral de qualquer natureza. É na época contemporânea, a partir sobretudo do último meio século de o...
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Main Author: | |
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Format: | Article |
Language: | Portuguese |
Published: |
Coimbra University Press
2005-11-01
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Series: | Revista de História da Sociedade e da Cultura |
Subjects: | |
Online Access: | https://impactum-journals.uc.pt/rhsc/article/view/15374 |
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Summary: | Não se conhece em Portugal, até ao século XIX, qualquer esboço teórico que configure um projecto ou a simples manifestação da ideia de uma Europa unida, perspectivada em formas de entendimento multilateral de qualquer natureza. É na época contemporânea, a partir sobretudo do último meio século de oitocentos, que a consciência da necessidade de aproximação de Portugal à Europa, a ideia de unidade e a participação em projectos e instituições de cooperação ou de integração assumiram expressões crescentes, embora de forma flutuante, com avanços e recuos, conforme os condicionalismos políticos internos e as conjunturas internacionais. Mas é só no século XX, no pós-primeira guerra, que se esboçam os contornos e a forma de uma ideia de unidade europeia moderna, que ganhará corpo e movimento após a segunda guerra. Portugal participou neste processo nos anos 20, mas a irrupção do salazarismo, nacionalista, atlantista e colonial, deixaria profundas marcas na consciência e na sensibilidade nacionais e afastaria o país da caminhada para a unidade europeia, embora não ficasse alheio a formas de cooperação económica e de segurança, que entretanto se organizaram, desde que não pusessem em causa os princípios e os alicerces do Estado Novo. Após o 25 de Abril, volvida a fase da vertigem revolucionária, a situação periclitante da lusitana condição doméstica impôs-se à evidência de muitos: a opção europeia, apesar de todas as dúvidas e hesitações, tornou-se, doravante, uma realidade incontornável. Contudo, a condição geográfica periférica de Portugal e a sua natural exposição orientada para o oceano funciona(ra)m como elementos subjacentes ou estruturantes desta cíclica perplexidade de encontro e de desencontro em relação à Europa - aqui, onde a terra acaba e o mar começa.
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ISSN: | 1645-2259 2183-8615 |