Portugal e a Europa - O Discurso Europeu e Federalista da Monarquia à República

O século XIX em Portugal foi europeísta tanto quanto era possível sê-lo no contexto de uma Europa cuja ideia de unidade ficara confinada à reserva da utopia de escritores, filósofos e propagandistas. Diversos autores portugueses reflectiram sobre a situação e o destino da Europa, o seu papel no mun...

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Main Author: António Martins da Silva
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Coimbra University Press 2003-11-01
Series:Revista de História da Sociedade e da Cultura
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Online Access:https://impactum-journals.uc.pt/rhsc/article/view/15414
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description O século XIX em Portugal foi europeísta tanto quanto era possível sê-lo no contexto de uma Europa cuja ideia de unidade ficara confinada à reserva da utopia de escritores, filósofos e propagandistas. Diversos autores portugueses reflectiram sobre a situação e o destino da Europa, o seu papel no mundo, a relação e o peso de Portugal e da Península Ibérica na balança europeia; fizeram ecoar as ressonâncias de apelos à unidade que se manifestaram lá fora e projectaram soluções para o reequilíbrio e a inserção dos povos peninsulares numa nova moldura geoestratégica europeia. Mas a ideia mais marcante, no período oitocentista, foi a defesa da união ibérica pela via do federalismo, como etapa preliminar ou como exemplo de associação a seguir para outras nações e conjuntos histórico-culturais e geopolíticos. Contudo, esta ideia ibérica, latina, mediterrânica, ocidental, europeia, universal - nascida e difundida em contextos de decadência e de crise revolucionária - torna-se desinteressante e obsoleta nos primeiros tempos do século XX, que culminaram no caos apocalíptico dos anos 14-18. O nacionalismo cosmopolita, místico e cultural, de Fernando Pessoa é bem a expressão desse tempo decadente a caminho do abismo, de falência de doutrinas, de descrença nas utopias, na encruzilhada dialéctica entre a conflitualidade de um tempo que finda e de outro que emerge. Com efeito, no pós-primeira guerra, a ideia ressurge, revigorada e reformulada, com novos arautos e protagonistas; mas não se tornará suficientemente forte nem persuasiva ainda para demover todos aqueles que não calam os ódios do passado nem superam os egoísmos do presente.
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institution Kabale University
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